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quarta-feira, 10 de março de 2021

Asaro - "Homens-Lama"

Aooowww

Olá, leitores, olá, leitoras!
Muito tempo sem postar, né non?

Pois é...

Deu até teia de aranha...

Bom, vamos lá!
Hoje falaremos de um povo nativo da Papua Nova Guiné, que conheceu o Mundo Ocidental (que alguns chamam de "civilização") apenas em meados do século XX.

Civilizeixon

Papua Nova Guiné, fica em cima da Austrália, caso tenham faltado às aulas de Geografia...

"Nossa, mas que galera é essa, mermão?"
São os Asaro - Mudmen ou Homens-Lama.

"É nóix!"

Os Asaro, ou Homens-Lama, são um grupo nativo da região de Goroka, que vivem em clãs agrários no agreste da Papua Nova Guiné, e ficaram famosos por suas máscaras feitas de lama (argila).

Senhores Asaro mostrando suas máscaras feitas à mão

E antes que vocês pensem que eles usam essas máscaras para se fantasiarem no Carnaval, ou para dançar na Carreta Furacão, vamos às suas origens, que são cercadas de lendas interessantes.

"Siga em frente, olhe para o lado..."

Reza a primeira lenda que os Asaro foram derrotados por uma aldeia inimiga e se viram obrigados a fugir em direção ao Rio Asaro. Chegando ao rio, eles se esconderam e passaram lama pelo corpo para se camuflarem, deixando o rosto descoberto pois, segundo eles, a lama era supostamente venenosa. Para disfarçar o rosto, pegaram pedras de cachoeira (seixos), fizeram máscaras com elas e ficaram no rio até anoitecer. Quando escureceu, ao saírem pelas margens, foram vistos pelos inimigos, que fugiram, pensando se tratar de espíritos. Os inimigos voltaram aterrorizados para sua aldeia e a notícia de que os Asaro eram aliados dos espíritos do rio se espalhou pela região. Passaram então, a usar as máscaras para assustar os inimigos.

"Não olha pro lado, quem tá passando é o bonde..."

Outra lenda diz que houve um casamento e todos estavam convidados. Fica, vai ter bolo! Porém um dos convidados não tinha um traje adequado para ir e resolveu inovar. E o que ele fez? Usou um terno? Usou uma folha de bananeira? Usou uma saia de miçangas? Usou o próprio traje da noiva? Nãaao! Ele usou um saco na cabeça, sujo de lama, fez dois buracos para os olhinhos, cobriu-se de argila e foi. Chegando lá, off course, assustou todos os convidados, pois pensaram que era um fantasma. O convidado então pensou "ué?" e teve uma ideia: usar essa mesma "roupa" durante as batalhas para assustar as aldeias inimigas.

"É aqui que tá rolando um casório?"

Eu gostei mais da primeira lenda, e vocês?
Continuando...
Antropólogos dizem que as máscaras eram mais simples e rudimentares, mas com o aumento do interesse na tribo e o turismo na região, os Asaro passaram a fazer máscaras mais elaboradas e adornadas com conchas, dentes de porcos-selvagens, etc. Gente, design é tudo, tutto!

Antes do curso de design de produto...

Depois do curso de design de produto...

Um homem Asaro relatou que, com o aumento do turismo na região, povos vizinhos começaram a plagiar as lendas dos Asaro para comercializarem máscaras e outros souvenirs. E como não existe direito autoral sobre lendas, fica difícil eles protegerem suas histórias e impedir cópias e farsantes. Seu nome é Kori e ele foi um dos convidados pelo Sydney's Australian Museum para participar de uma exposição onde teve a oportunidade de contar a história de seu povo e ensinar às pessoas como fazer sua própria máscara.

Fotos de Kori e da exposição, retiradas do site da BBC:





E abaixo, mais fotos dos Asaro, retiradas do site do fotógrafo Jimmy Nelson, que eu já citei outras vezes no blog:




Se você gostou, já falei de outro povo da Papua Nova Guiné aqui no blog, os Kaningara.

;)

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Rituais Kaningara

 Kaningara

Oi! Oi!
Hello Monday!
Ressaca galera? Então bebe um isotônico aê e simbora aprender sobre este grupo que realiza um ritual bem sinistro (e doloroso!): a aldeia Kaningara.
Diretamente da Papua Nova Guiné, este grupo tem um crença espiritual bastante diferente: eles veneram os crocodilos como um Deus Criador.
Atenção: cenas fortes. Fica o aviso!

E aí galera?

Os Kaningaras vivem em ocas no alto das montanhas e sobrevivem da agricultura de subsistência (aquela que você aprendeu na aula de História). De tempos em tempos, os rapazes da aldeia passam por um ritual de transformação, onde se tornarão homens adultos e assim, poderão defender sua terra, casar, votar, beber cerveja, assistir futebol, etc.
Mas como seria esse ritual?
Simples: os garotos criam escamas (com cicatrizes) em suas costas e braços, deixando a pele semelhante à pele do Deus Criador deles. E para formar cicatrizes, óbvio, eles se cortam!

Cortesinhos, sussa...

Os rapazes são isolados em uma oca, chamada Casa dos Espíritos. Lá eles passam dias ou semanas recebendo ensinamentos dos homens mais velhos. De acordo com a cultura, é o conhecimento que dá poder, diferindo homens de meninos. Um crocodilo então é caçado e trazido vivo para acompanhar a próxima etapa do ritual.

Jovem se tornando Homem

Após o isolamento, mulheres e crianças dançam e cantam do lado de fora da Casa dos Espíritos, e dá início ao ritual. Cortes profundos são feitos no peito e costas dos garotos, formando cicatrizes espessas e eternas na pele. Ao redor do mamilo são feitos os olhos do crocodilo, no abdome as narinas e nas costas as pernas e cauda do réptil.

Ai que dorrr!!!

O ritual não é apenas para aproximar Homem e Criador, mas também para extrair a dor e a ligação dos meninos com o sangue materno. Todo o processo dura aproximadamente duas horas. O sangue que escorre na pele dos garotos representa o sangue da mãe no pós-parto e esta etapa representa a separação dos garotos do mundo das mulheres. O sangue é limpo por um tio materno do garoto, pois assim, o sangue "retorna" para a família.

O.o

Após o término, os garotos passam semanas na Casa dos Espíritos, tratando os cortes com óleo de palmeira. Acabou? Não! Para conseguir o aspecto de escamas, os garotos depois vão até um rio bem barrento e ficam lá rolando feito para INFECCIONAR as feridas e adquirirem queloides!

Cara... Vejo dor, muita dor...

E vocês aí, reclamando do arranhão no joelho depois do jogo de ontem...

Ahhhhhh