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domingo, 20 de março de 2016

Tanuki

Estão sentindo essa coceira? Essa vontade de espirrar?
Tapem o nariz pois é hora de tirar a poeira do blog!
Gente, quanto tempo sem postar, né?
Bom, depois de anos, séculos, probleminhas, problemões... eis que o CcT volta... :)
E o assunto de hoje é TANUKI!

Mas eu tava num cochilo tão bão...

Tanukis são canídeos (sim, é primo do lobo e do catioro) típicos do Japão, Manchúria e parte da Sibéria. Ele também é conhecido como cão-guaxinim, por se parecer muito com este. Chegaram de mala e cuia na União Soviética, se filiaram ao partido de Lenin e por lá começaram a procriar. Viajaram mais um pouco pelos países Bálticos e Escandinavos, chegando até a França e Itália. Creio que aproveitaram bem as milhas do cartão de crédito.

Com essa carinha fofa, eles chegam junto e já se instalam sem muitos rodeios

Chegam a medir 65 cm quando adultos e pesam de 4 a 10kg. Na floresta eles chegam a 4-5 anos, mas em cativeiro conseguem viver até 11, por não terem predadores, além de ter sempre comida e cama quentinha. Uma fêmea pode criar até 5 filhotinhos por gestação.

Tetés

No Japão os Tanukis também fazem parte da mitologia e crenças populares. São descritos como travessos, alegres e metamorfos. É muitas vezes representado com uma garrafa de sakê numa mão e uma nota promissória em outra (que ele nunca paga, aliás). Sua estátua é muitas vezes colocada na porta de bares e restaurantes, pois acredita-se que atrai clientes.

"Devo, não pago. Nego enquanto puder."

Uma característica peculiar do Tanuki é que ele possui testículos bem grandes. E no folclore, tal característica é ainda mais exacerbada. Acredita-se que se esticá-los (ui!), eles ficam do tamanho de 8 tatamis (sim, japonês tem mania de medir coisas por tatamis, tipo "Nossa, minha casa é enorme, ela mede 35 tatamis!). E com o testículo nesta proporção toda, o Tanuki os usa como rede de pesca, capa de chuva, cobertor e até mesmo paraquedas.

É... Não sou capaz de opinar...

O Tanuki também tem participações em jogos e desenhos japoneses. Sabe a roupa de raposinha do Mario (não o do armário, mas o irmão do Luigi)? Então, não é uma raposa, é um tanuki. Chorem.

"It's me! Tanooki!"

No desenho Pom Poko, do Studio Ghibli, podemos ver a versatilidade do uso de suas bolsas escrotais. Uhauhauha, gente, sério... XD

"Para o alto, e avante!"

Sim, o paraquedas é o testículo... O.o

E agora me digam...

Como...

...não...

...amar??? <3


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Nattô

Hmmm =P

Oiê!
Hoje é sextaaa!!! E sexta é dia de que? De dorgas? Não! De comida!
E meu objetivo desta sexta é mostrar pra vocês uma comidinha muito saudável, porém com aspecto bem repugnante para nossos olhinhos ocidentais: o Nattô.
Nattô é um fermentado de soja muito rico em proteínas e nutrientes. Tem cheiro forte e consistência pegajosa.

Isto não é queijo, é a BABA da fermentação da soja uhauhauha socorro!

Os primeiros nattôs, no Japão feudal, eram feitos em trouxinhas de palha de arroz, onde os grãos de soja eram cozidos no vapor e depois guardados em ambientes quentes e úmidos. As bactérias da palha do arroz começam a fermentar a soja, decompõe as proteínas e formam aqueles "fios de babinha" que podem ser esticados por vários metros.

=P

O nattô é consumido com molho shoyu ou com mostarda. Os japoneses gostam de consumir a iguaria no café da manhã, junto com arroz. Nem venha achar estranho, porque eu sei que vocês já comeram biscoito Passatempo com Coca-Cola no café porque ficaram com preguiça de ir até a padaria. Apenas observo. ò.ó

Melequinha Nattô com arroz

Eu já comi nattô por livre e espontânea pressão. Achei horrível, fedido e nojento. MAS, como tudo tem seu lado bom, o nattô também tem o seu. Além do alto teor proteico, o nattô pode prevenir e te salvar de um câncer intestinal! Sério? Como? Quando o seu intestino está muito lento, os totôs começam a se acumular e seu corpo passa a absorver toxinas formadas por bactérias da putrefação. Tais toxinas podem causar lesões na parede intestinal ou até mesmo em outros órgãos, uma vez que elas são levadas pela corrente sanguínea. O nattô ajuda a proliferação de bactérias gente fina, que são antagônicas às da putrefação, refazendo a flora e colaborando com o fortalecimento do sistema imunológico. Além de tudo isso, o nattô também neutraliza algumas substâncias radioativas e seu uso é indicado antes e durante o tratamento com radio e quimioterapia.

Tapa o nariz, fecha os olhos e come! Faz bem!!!

O fios da babinha do nattô também são usados na fabricação de plásticos biodegradáveis, fibras e resinas. Nattô - mil e uma utilidades!

=P

Então pessoas, quando aquele seu amigo disser que ADORA comida japonesa (aquele que só come o salmão), dê um potinho de nattô a ele... e saia de perto quando ele abrir... Fica a dica.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Kappa

Kappas

Oi pessoal!
Hello Monday!
Hoje o assunto é uma lenda japonesa relacionada aos rios: o Kappa.
Kappa significa criança do rio. Trata-se de um espírito anfíbio (habita a terra e a água) do folclore japonês. Segundo a lenda, o Kappa é hermafrodita e é da altura de uma criança de 10 anos. Basta saber qual criança de 10 anos. Japonesa? Alemã? Irlandesa? Isso varia muito! XD

Kappa de Katsushika Hokusai

Sua pele é verde, escamosa, possui casco de tartaruga e cara de macaco. Nos pés e mãos possui membranas, o que facilita sua locomoção nas águas. Um fato característico dos Kappas é uma depressão no alto da cabeça, que armazena água para o ser manter seus poderes e força quando estiver em solo firme. Estilo o furinho da cabeça do Boto-Rosa.

Kappinha saindo da água para aterrorizar os japinhas

Os Kappas ficam aguardando suas vítimas na beira dos rios, lagos e lagoas ("Que vida boa... ôôô que vida boa... Kappa caiu na lagoa..."). Eles se alimentam de entranhas e sangue humano. Seu órgão predileto é o fígado (anemia nunca mais!). Em outros relatos o Kappa é visto como inteligente e muito honrado. Foi com eles que a humanidade aprendeu a curar fraturas ósseas (diga isso pro ortopedista).

Kappa parecendo um aborígene, pernas longas...

Para se proteger de um Kappa, você deve cumprimentá-lo várias vezes. Ele, todo educado, também irá se curvar para o cumprimento e irá derramar todo líquido de sua cabeça-pires. Assim, ele perderá suas forças e se sentirá obrigado a voltar para as águas. Gente, muito simples! Nem precisou usar força física, né? Outra maneira de se proteger é escrever seu nome e de seus familiares na casca de um pepino (alimento preferido da criatura) e jogá-lo na água. Assim, o Kappa se sente moralmente obrigado a não se aproximar dessas pessoas. A relação deste alimento com a criatura se tornou tão arraigada que o sushi de pepino é chamado de Kappa Sushi.

Alguém me explica em que lugar do mundo que macaco tem bico???

Há um desenho de 23 episódios chamado Kappa no Kaikata (Como alimentar um Kappa) em que um homem compra um Kappa num petshop (mãe, eu quero um!!!) e passa a cuidar e treinar seu novo "bichinho".

Awwnnn, que fofinho!

No Japão, alguns parques possuem estátuas de Kappas nos laguinhos, para amedrontar animar os visitantes.

Muito...Medo!

Bom pessoal, é isso!
Não se esqueçam, se virem um Kappa, façam que nem político em ano de eleições: cumprimente-o várias vezes para garantir que a aguinha da cumbuca-craniana deles derramou toda! XD

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Geishas - Gueixas

 Geisha

Oi! Oi! Oi! Danza Kuduro!
Oi pessoas!
Hoje vou falar um pouco dessas moças lindas que são as Geishas (ou em português Gueixas).
Geisha significa "pessoa de artes". Por que? Porque as mocinhas desde novinhas recebem treinamento e disciplina para manifestações artísticas e culturais, desde dançar com leques na mão até servir chá da maneira milenar e tradicional japonesa.
Como começou? Por volta do século VII ou VIII (sim, bem antigo isso) começaram a surgir os bairros para diversão (bebida, danças, e claro, sexo), onde os homens iam para...se divertir, óbvio. As prostitutas mais "tops" eram chamadas de Oiran. Elas eram atrizes e dançarinas. Suas danças eram chamadas de kabuki (que originou o teatro de mesmo nome). As Oiran podem ser consideradas as antecessoras da cultura gueixa.

Teatro Kabuki

As primeiras gueixas propriamente ditas eram homens (sim, pasmem) que entretinham os clientes que aguardavam para ver as Oiran. No final do século XVII começaram a surgir as precursoras das gueixas do sexo feminino: as adolescentes dançarinas conhecidas como odoriko. Muitas, ao chegar na fase adulta, ou se tornavam prostitutas ou seguiam pro lado artístico se tornando então as primeiras gueixas mulheres. Essas gueixas eram PROIBIDAS de vender sexo, para não atrapalharem os negócios das Oiran.

Oiran Tecsat - Antena de TV

Com a Segunda Guerra Mundial, houve um declínio de toda essa cultura. Além do fechamento das casas de chá e bares onde elas se apresentavam, muitas prostitutas se apresentavam como "gueixas" para os militares americanos. E foi aí que começou a confusão que perdura até hoje, ao acharem que gueixa nada mais é que uma prostituta japonesa.

Cores e mais cores *__*

As gueixas podem começar seus treinamentos aos 15 ou 18 anos, varia de acordo com a tradição local (em Kyoto elas começam mais jovens). As fases são shikomi (serva), minarai (fase em que observará sua mentora e aprenderá como se comportar, vestir, etc), maiko (parte mais cara do treinamento, ela receberá kimono, acessórios, calçados, tudo custeado pela casa e pagará aos poucos, após sua formação) e finalmente geisha.
Elas também aprendem a tocar instrumentos (shamisen, principalmente), cantar, conversar sobre vários assuntos de maneira a entreter o cliente, sempre.

Geishas se apresentando

Muito lindas *__*

As maikos são muito vistas nas ruas de Kyoto, principalmente na primavera, época em que há muitos festivais. Para diferenciar uma maiko de uma geisha, é simples: basta olhar suas costas. O colarinho, o obi (faixa da cintura) e a pintura da nuca são diferentes entre elas.

Maiko (esq.) e Geisha (dir.)

Detalhe da nuca de uma Maiko

Eu estive no Japão em Dezembro de 2008 e passei por Kyoto. Óbvio, saí pelas ruas procurando pelas gueixas. Não vi nenhuma. As pessoas nas ruas que me informaram sobre elas aparecerem mais na primavera. Realmente, ingenuidade de minha parte achar que elas sairiam nas ruas com aquele clima de inverno com chuva e neve, sob o risco de estragar aqueles kimonos caríssimos. A única forma de encontrá-las seria dentro das casas de chá. Custo: 180 dólares para entrar. Achei meio salgado o preço e não fui. Me arrependo até hoje.

Geisha servindo chá

Apresentação com leques ao som de shamisen

Como curiosidade, diziam que algumas gueixas antigas passavam uma espécie de cera nos cabelos para os penteados ficarem bem firmes e elas chegavam a ficar semanas sem lavá-los! O.o
Outro fator que eu vi nos sites, é que as maikos fazem penteados nos próprios cabelos, mas as gueixas atuais preferem usar perucas, por ser mais prático e mais seguro, pois ficar puxando a cabeleira pode causar calvície em alguns pontos da cabeça.

...

Bem, é isso.
Se for ao Japão e tiver 180 dólares, por favor VÁ VER UMA GEISHA e tire fotos! ^^